Pioneiro na participação política das mulheres, RN ainda tem baixa representação nos cargos eletivos


Estado teve primeira eleitora e primeira prefeita do país. 90 anos depois, elas são maioria nos votos, mas minoria nos cargos políticos.








do RN)
Em 1927, a potiguar Celina Guimarães Viana se tornou a primeira mulher a votar no Brasil. O caso aconteceu em Mossoró, na região Oeste do estado. Um ano depois, Alzira Soriano foi eleita prefeita de Lajes, na região central, sendo a primeira a ocupar um cargo como esse no país. Passado quase um século desde essas histórias de pioneirismo feminino, as potiguares já são maioria no registro de eleitores, porém minoria quando o assunto é a ocupação dos cargos eletivos.
As mulheres são 52% do eleitorado do Rio Grande do Norte, contra a fatia de 48%, formada pelos homens. Já na Assembleia Legislativa do RN, dos 24 mandatos, apenas 3 são delas, o que representa 12,5%. Na Câmara Municipal de Natal, dos 29 parlamentares, 7 são mulheres, ou 24,13%.
O estado também só conta com uma representante entre os oito deputados federais e outra entre os três potiguares no Senado Federal - o que ainda parece um privilégio, já que mais da metade dos estados não tem sequer uma senadora. "Essa baixa representação de mulheres no Parlamento favorece a que matérias de cunho sexista e misógino sejam apresentadas e aprovadas", considera a senadora Fátima Bezerra.
Senadora Fátima Bezerra: baixa representação favorece aprovação de leis misóginas (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)Senadora Fátima Bezerra: baixa representação favorece aprovação de leis misóginas (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Senadora Fátima Bezerra: baixa representação favorece aprovação de leis misóginas (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Não bastassem as dificuldades enfrentadas ainda nas disputas partidárias e nas campanhas eleitorais, os relatos das mulheres que conseguiram alcançar postos políticos mostram que elas encontram um ambiente hostil. Vereadora de Natal, Eudiane Macêdo teve que levar o filho recém nascido às sessões plenárias simplesmente porque a Câmara Municipal não contava com previsão de licença-maternidade, como é direito das trabalhadoras brasieliras. Isso foi em 2014.
"Não ter podido viver esses primeiros meses com meu filho com mais tranquilidade mexeu muito comigo", diz a vereadora, que, após o caso, apresentou e aprovou a criação da licença no Legislativo da capital potiguar.
Vereadora de Natal, Eudiane Macedo teve que levar o filho a plenário porque não teve direito a licença-maternidade (Foto: Elpídio Júnior/Divulgação/CMN)Vereadora de Natal, Eudiane Macedo teve que levar o filho a plenário porque não teve direito a licença-maternidade (Foto: Elpídio Júnior/Divulgação/CMN)
Vereadora de Natal, Eudiane Macedo teve que levar o filho a plenário porque não teve direito a licença-maternidade (Foto: Elpídio Júnior/Divulgação/CMN)
“Sorria: aqui é lugar de mulher”. O cartaz na porta do gabinete da vereadora Natália Bonavides mostra que ainda é preciso reforçar a ideia de que a mulher tem espaço ali. Mesmo quando não há violência explícita, física ou verbal, na Câmara, a parlamentar aponta que ela é simbólica. Um exemplo: "A própria inexistência de um banheiro feminino no plenário da casa, há até pouco tempo". A mudança aconteceu após reclamação das vereadoras.
Para a deputada Márcia Maia, a pequena representatividade feminina é um reflexo da visão da sociedade sobre a presença da mulher na política. "É verdade que conquistamos muito ao longo dos últimos anos. Tivemos e temos mulheres ocupando funções de extrema importância, com resultados importantes, mas ainda há muito por caminhar", pondera.
Deputada Márcia Maia é uma das três mulheres que ocupam cargo eletivo na ALRN (Foto: Eduardo Maia/Assembleia Legislativa do RN)Deputada Márcia Maia é uma das três mulheres que ocupam cargo eletivo na ALRN (Foto: Eduardo Maia/Assembleia Legislativa do RN)
Deputada Márcia Maia é uma das três mulheres que ocupam cargo eletivo na ALRN (Foto: Eduardo Maia/Assembleia Legislativa do RN)
Uma lei nacional tenta mudar essa situação e prevê que pelo menos 30% das candidaturas lançadas pelos partidos sejam de mulheres. Mesmo sendo 44% dos filiados às legendas, elas não refletiam esse número nas candidaturas.
Em 2016, já com a aplicação da lei, as mulheres foram 86% dos 18,5 mil candidatos que não receberam nenhum voto, o que levantou a suspeita de "candidaturas laranjas" - usadas apenas com objetivo de cumprir as cotas. Os casos são investigados pela Justiça eleitoral. "Temos que trabalhar para que essa reserva de vagas seja realmente efetiva e que haja fiscalização para evitar", concluiu a senadora Fátima.
Câmara Municipal de Natal: dos 29 vereadores, sete mulheres (24,13%):
  • Ana Paula Araújo
  • Carla Dickson
  • Eleika Bezerra
  • Eudiane Macedo
  • Julia Arruda
  • Natialia Bonavides
  • Nina Souza
Assembleia Legislativa: dos 24 deputados, três mulheres (12,5%):
  • Cristiane Dantas
  • Larissa Rosado
  • Marcia maia
Camara dos Deputados: 513 deputados, sendo 54 mulheres (10,5%)
  • Do RN: Zenaide Maia
Senado: 81 senadores, dos quais 13 mulheres (16,04%)
  • Do RN: Fátima Bezerra5
  • Fonte: G1 RN 

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